Pedaços de história #2 - Revigrés: como um símbolo

Foi notícia nos jornais de ontem a renovação do contrato entre o FC Porto e a Revigrés, celebrado pela primeira vez em 1983. No ano anterior Jorge Nuno Pinto da Costa assumia a presidência do FC Porto, sendo a colocação de publicidade nas camisolas um dos seus grandes objectivos, a par, entre outros, do rebaixamento do Estádio das Antas (que viria a acontecer em 1986) e da criação de uma revista mensal (em 1985 nascia a Dragões).

Ao entrar em acordo com a Revigrés no primeiro dia de Agosto de 1983 o FC Porto tornou-se o primeiro clube português a celebrar contrato com um patrocinador e a inserir publicidade nas camisolas. Nas duas décadas que se seguiram o FC Porto e a Revigrés cresceram lado a lado, com o clube a afirmar-se como o maior de Portugal e a assumir lugar de destaque na Europa enquanto a empresa de cerâmica de Águeda conquistava, também ela, reconhecimento e prestígio nacionais e internacionais.

1984-85: a primeira equipa campeã com a Revigrés na camisola
1984-85: a primeira equipa campeã com a Revigrés na camisola

Fundador da Revigrés (em 1977) e ainda presidente da empresa, Adolfo Roque é tido por Pinto da Costa como "um amigo sincero para todas as ocasiões". Sobre ele, o presidente relata na sua autobiografia duas histórias curiosas:

"Corria o ano de 1992, confraternizávamos com o pretexto dos meus dez anos de Presidência e, em cinco minutos, com um aperto de mão "selámos" o acordo. Passados dois anos, rigorosamente cumprido que fora o contrato por ambas as partes, resolvemos renová-lo. Só então demos conta que o aperto de mão era tudo (e bastava) o que havia como contrato!"


"Noutra ocasião, durante o "reinado" de Eduardo Catroga como Ministro das Finanças, é-nos hipotecado o Estádio e a sanita do balneário do árbitro. O Eng.º Roque, sem qualquer obrigação, e no mais completo anonimato, envia-nos um cheque de cinco mil contos para ajudar a resolver o problema. Talvez isto ajude a compreender que, ao fim de mais de vinte anos, o azul do Porto se confunda com a Revigrés."

De facto, a publicidade da Revigrés assumiu um estatuto no FC Porto que a assemelha a um verdadeiro símbolo do clube. De tal modo que, quando em 2003 o contrato sofreu uma redefinição, passando o nome da Revigrés a figurar apenas nas camisolas usadas pelo FC Porto nas competições internacionais (nas competições internas foi substituído pelo logotipo da PT), muitos adeptos consideraram esta substituição parcial da Revigrés no uniforme azul e branco como uma perda de parte da identidade do clube.

A tão forte identificação não será indiferente o facto da Revigrés estar associada ao período mais glorioso da história do FC Porto - desde que o seu nome passou a figurar nas camisolas portistas a ascenção do clube foi meteórica. E apesar de não ter estado presente nas finais de 1987 (ao que parece, até meados dos anos 90 a UEFA não via com bons olhos este tipo de publicidade), a Revigrés marcou a imagem de numerosas conquistas do FC Porto: Taças de Portugal, Supertaças, Campeonatos Nacionais - incluindo o Penta - e mais recentemente as grandes vitórias de Sevilha, Gelsenkirchen e Yokohama. Nas palavras de Pinto da Costa, "a Revigrés e o Eng.º Adolfo Roque fazem parte da História do Clube".

2003-04: campeões da Europa com a Revigrés
2003-04: campeões da Europa com a Revigrés

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quarta-feira, setembro 20, 2006 @ 03:26 GMT ::: link ::: topo




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fontes
A principal fonte de informação e imagens para o presente blog são os 16 volumes da História Oficial do FC Porto, de Alfredo Barbosa, editada pelo Comércio do Porto. São também consultados o Livro de Ouro do FC Porto, edição do Diário de Notícias, e a autobiografia de Jorge Nuno Pinto da Costa, Largos Dias Têm 100 Anos, bem como o site oficial do FC Porto e edições passadas de jornais, de entre os quais se destacam A Bola, Jornal de Notícias, O Jogo, O Norte Desportivo e Record. Quaisquer outras fontes serão identificadas nos respectivos posts.






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